Academia é obrigada a ter desfibrilador? As regras cidade por cidade
Não há lei federal para academias. Veja que leis estaduais e municipais exigem desfibrilador e o critério de cada uma: alunos, sócios ou pessoas por dia.
Equipe Cardioproteção · Publicado em · 7 min de leitura
Desde 22 de setembro de 2026, academias de Fortaleza com 500 alunos ou mais precisam ter um Desfibrilador Externo Automático (DEA) sinalizado, em local de fácil acesso, e um profissional capacitado em DEA e primeiros socorros durante todo o horário.
A exigência está na Lei Municipal nº 8.675/2002 de Fortaleza, com redação da Lei Municipal nº 11.696/2026, e não houve prazo de adaptação.
Fortaleza não é exceção. As tabelas abaixo reúnem outras 16 normas em vigor, de estados, do Distrito Federal e de cidades, que exigem o aparelho em academias, cada uma com o seu critério. Nenhuma é federal: uma varredura das leis federais publicadas até 29 de setembro de 2026 não encontrou lei que obrigue academias a ter o aparelho.
A regra vem do estado e da cidade, e o critério muda de um lugar para outro.
Onde a lei não fixa número mínimo
Em quatro lugares, a lei cita academias sem número mínimo de alunos ou de sócios. O tamanho da academia não muda a obrigação.
Cidade ou estado
Norma
Critério
Rio de Janeiro (cidade)
Lei Municipal nº 7.259/2022
Academias e clubes, sem número mínimo
João Pessoa
Lei Municipal nº 12.796/2014
Academias e clubes, sem número mínimo
Tocantins
Lei Estadual nº 3.307/2017
Academias, sem número mínimo
Palmas
Lei Municipal nº 3.343/2026
Academias de musculação, crossfit e funcional, sem número mínimo
Rio de Janeiro (cidade)
Norma
Lei Municipal nº 7.259/2022
Critério
Academias e clubes, sem número mínimo
João Pessoa
Norma
Lei Municipal nº 12.796/2014
Critério
Academias e clubes, sem número mínimo
Tocantins
Norma
Lei Estadual nº 3.307/2017
Critério
Academias, sem número mínimo
Palmas
Norma
Lei Municipal nº 3.343/2026
Critério
Academias de musculação, crossfit e funcional, sem número mínimo
Na cidade do Rio de Janeiro, a Lei Municipal nº 7.259/2022 pede o aparelho disponível durante todo o horário com público, manutenção e pessoal preparado. A lei prevê multa de R$ 5.000, corrigida todo ano e dobrada a cada reincidência, e interdição.
Em João Pessoa, a Lei Municipal nº 12.796/2014 pede funcionários treinados em número suficiente para todos os turnos e placa citando a lei. A academia instalada dentro de shopping precisa de aparelho próprio.
Em Palmas, a Lei Municipal nº 3.343/2026 pede DEA sinalizado, kit de emergência e 1 pessoa com Suporte Básico de Vida (SBV) por turno.
Em todo o Tocantins, a Lei Estadual nº 3.307/2017 pede capacitação de pessoal em número suficiente e prevê multa de R$ 2.000 pela falta dela, em dobro na reincidência.
Onde conta o número de alunos ou de sócios
Três cidades medem o porte pelo cadastro da academia, e o número de corte muda muito de uma para outra.
Cidade ou estado
Norma
Critério
Porto Velho
Lei Municipal nº 2.856/2021
Clubes e academias com mais de 100 sócios
Fortaleza
Lei Municipal nº 8.675/2002
Academias com 500 alunos ou mais
São Paulo (cidade)
Lei Municipal nº 13.945/2005
Academias e clubes com mais de 1.000 sócios
Porto Velho
Norma
Lei Municipal nº 2.856/2021
Critério
Clubes e academias com mais de 100 sócios
Fortaleza
Norma
Lei Municipal nº 8.675/2002
Critério
Academias com 500 alunos ou mais
São Paulo (cidade)
Norma
Lei Municipal nº 13.945/2005
Critério
Academias e clubes com mais de 1.000 sócios
Em Fortaleza, a lei prevê advertência, multa de R$ 1.000 a R$ 10.000 e, na reincidência, interdição total ou parcial. Em Porto Velho, a Lei Municipal nº 2.856/2021 prevê multa de R$ 10.000 após notificação.
Na capital paulista, a Lei Municipal nº 13.945/2005 pede treinar todos os integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e das brigadas de incêndio e de emergência, mais 2 funcionários por turno, por aparelho. A multa é de R$ 2.000 por semana, corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Onde o critério é o movimento de pessoas
Nas 10 normas da tabela abaixo, o porte é medido pelo número de pessoas por dia ou ao mesmo tempo, ou pela capacidade do espaço.
Cidade ou estado
Norma
Critério
Anápolis
Lei Promulgada nº 368/2018
Capacidade de 500 pessoas ou mais
Mato Grosso do Sul
Lei Estadual nº 3.062/2005, com redação da Lei Estadual nº 5.207/2018
Mais de 1.000 pessoas por dia
Belo Horizonte
Lei Municipal nº 9.317/2007
Mais de 1.000 pessoas por dia
Santos
Lei Complementar nº 658/2009
Mais de 1.000 pessoas por dia
João Pessoa
Lei Municipal nº 10.419/2004
Mais de 1.000 pessoas por dia
Joinville
Lei Complementar nº 294/2009
1.000 pessoas por dia ou mais
Juiz de Fora
Lei Municipal nº 11.825/2009
Mais de 1.000 pessoas ao mesmo tempo ou 2.000 por dia ou mais
Distrito Federal
Lei Distrital nº 3.585/2005
1.500 pessoas por dia ou mais
São José dos Campos
Lei Municipal nº 9.750/2018
1.500 pessoas ou mais ao mesmo tempo ou 3.000 por dia ou mais
Paraná
Lei Estadual nº 14.427/2004
Mais de 2.000 pessoas por dia
Anápolis
Norma
Lei Promulgada nº 368/2018
Critério
Capacidade de 500 pessoas ou mais
Mato Grosso do Sul
Norma
Lei Estadual nº 3.062/2005, com redação da Lei Estadual nº 5.207/2018
Critério
Mais de 1.000 pessoas por dia
Belo Horizonte
Norma
Lei Municipal nº 9.317/2007
Critério
Mais de 1.000 pessoas por dia
Santos
Norma
Lei Complementar nº 658/2009
Critério
Mais de 1.000 pessoas por dia
João Pessoa
Norma
Lei Municipal nº 10.419/2004
Critério
Mais de 1.000 pessoas por dia
Joinville
Norma
Lei Complementar nº 294/2009
Critério
1.000 pessoas por dia ou mais
Juiz de Fora
Norma
Lei Municipal nº 11.825/2009
Critério
Mais de 1.000 pessoas ao mesmo tempo ou 2.000 por dia ou mais
Distrito Federal
Norma
Lei Distrital nº 3.585/2005
Critério
1.500 pessoas por dia ou mais
São José dos Campos
Norma
Lei Municipal nº 9.750/2018
Critério
1.500 pessoas ou mais ao mesmo tempo ou 3.000 por dia ou mais
Paraná
Norma
Lei Estadual nº 14.427/2004
Critério
Mais de 2.000 pessoas por dia
Em João Pessoa, a Lei Municipal nº 12.796/2014, da primeira tabela, não fixa número mínimo para academias.
O que vem junto com o aparelho muda de lei para lei. No Distrito Federal, a Lei Distrital nº 3.585/2005 pede 2 profissionais treinados por aparelho, reciclagem, manutenção semestral e placa com texto padrão, e prevê multa de R$ 1.000 a R$ 20.000, interdição e cancelamento do alvará.
Em Anápolis, a Lei Promulgada nº 368/2018 pede 1 DEA a cada 500 pessoas, 2 capacitados por aparelho e manutenção semestral, e prevê interdição. No Paraná, a Lei Estadual nº 14.427/2004 pede no mínimo 1 DEA e 1 pessoa qualificada em SBV, e a autoridade pode cassar a autorização de funcionamento.
Em Juiz de Fora, a Lei Municipal nº 11.825/2009 pede 1 funcionário capacitado por turno, com certificado anual exposto, e prevê multa de R$ 500, renovada a cada descumprimento do prazo dado após notificação.
Em Santos, a Lei Complementar nº 658/2009 prevê multa de R$ 2.000, renovada toda semana. Em São José dos Campos, a Lei Municipal nº 9.750/2018 prevê advertência e depois multa de R$ 2.000 por mês.
Em Joinville, a Lei Complementar nº 294/2009 pede brigada e funcionários de diferentes turnos treinados. Em Belo Horizonte, a Lei Municipal nº 9.317/2007 pede pessoal capacitado em programas credenciados, e em João Pessoa a Lei Municipal nº 10.419/2004 pede pessoal treinado em SBV.
Em Mato Grosso do Sul, a Lei Estadual nº 3.062/2005 pede que o aparelho seja acionado, de preferência, em até 3 minutos.
Vitória, pela Lei Municipal nº 6.605/2006, e Recife, pela Lei Municipal nº 17.335/2007, também citam clubes e academias. O texto oficial dessas duas leis ainda está em conferência, por isso o critério delas fica fora da tabela.
Normas só de treinamento ou em conferência
Algumas normas citam academias ou clubes, mas não entram nas tabelas acima. No Distrito Federal, a Lei Distrital nº 7.835/2025 trata de academias e exige treinamento, não o aparelho.
No estado do Rio de Janeiro, a Lei Estadual nº 7.275/2016 tem um trecho sobre centros de treinamento desportivo que depende de leitura interpretativa e está em conferência.
No Espírito Santo, a Lei Estadual nº 7.967/2005 trata de clubes esportivos e de futebol, e em Guarulhos a Lei Municipal nº 6.493/2009 cita clubes. Nos dois casos, o texto oficial está em conferência.
Como descobrir a regra da sua academia
A regra de uma academia depende do estado, da cidade e do critério de cada lei. Uma academia com 800 sócios fica abaixo do critério que a lei paulistana fixa para academias, enquanto na cidade do Rio a lei municipal não fixa número mínimo.
Onde a lei não cita academias, ela ainda pode alcançá-las por cláusula geral. A Lei Estadual nº 15.078/2009 de Santa Catarina vale para qualquer estabelecimento com 1.500 pessoas por dia ou mais. A Lei Estadual nº 13.109/2006 de Pernambuco vale para qualquer um com 2.000 pessoas ou mais, de forma diária ou periódica.
Na prática, vale ter em mãos quatro números: alunos matriculados, sócios, pessoas por dia e pessoas ao mesmo tempo. Algumas leis usam a capacidade do espaço, e outras não fixam número.
Vale olhar também o que vem além do aparelho: pessoa treinada por turno, sinalização e manutenção aparecem em várias das leis citadas. O mapa de normas mostra as normas de cada estado e das cidades com norma própria.
Sem lei federal geral, a exigência de desfibrilador vem de leis estaduais e municipais. Veja o que cada estado pede, para quem e a partir de qual porte.
A Lei Lucas exige treinamento anual em primeiros socorros nas escolas e não exige desfibrilador. Veja o que ela pede e onde a lei local exige o aparelho.